COMPORTAMENTO E DISCIPLINA

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Comportamento

e

Disciplina

Venho aqui inumerar alguns artigos sobre estudo, e os efeitos da prática do Karate sobre comportamento e disciplina nos praticantes.


1 - Peculiaridades da Técnica.

É bem conhecido o grande poder defensivo e ofensivo do Karate-Do. O Karate-Do é uma arte marcial que permite derrotar um adversário sem usar armas, com um único golpe de mão ou pé. O valor da arte depende da pessoa que faz uso dela. Se for usado para uma causa justa, é uma técnica valiosa, mas se for feito mau uso dela, nada existe de mais nocivo.

Uma vez, a polícia de Okinawa pensou em instruir seus membros na arte do Karate, mas surgiu em seguida uma preocupação a respeito do perigo que isso poderia apresentar, e o projeto foi abandonado.

Noutra ocasião, os almirantes Kokurô, Yashiro e Narikazu Kanna propuseram que os marinheiros aprendessem Karate; novamente o projeto foi abandonado pôr medo de que a técnica fosse aplicada nas brigas entre marinheiros.

Sempre causou preocupação às autoridades de Okinawa o uso indiscriminado do Karate e não se pode negar que é, de fato, uma técnica potencialmente perigosa. Seria no entanto lamentável que a prática dessa arte, da qual se pode ter tanto orgulho, fosse evitada simplesmente porque é uma técnica perigosa.

A fonte dessas preocupações está numa concepção errônea do Karate, surgida a partir de instrutores de mau caráter, os quais, irrefletidamente, colocaram maior ênfase na técnica do que nos aspectos espirituais do Do. Dessa conduta resulta a pobreza espiritual daqueles que aprendem Karate “apenas como uma técnica de luta”. Existem até casos extremos em que os instrutores incentivam os alunos a utilizar o Karate em suas brigas.

São prejudiciais advertências do tipo: “Você não pode progredir nem aperfeiçoar sua técnica se não fizer uso dela em lutas”, ou “se você não consegue lutar com fulano, é melhor desistir de aprender Karate”. Essas advertências apenas demonstram falta de bom senso pôr parte daqueles que não sabem nada a respeito do que é o Karate-Do.

Esta arte marcial, quando corretamente compreendida, ensinada e praticada dentro do seu verdadeiro espírito, é a antítese do perigo e de uma das mais nobres artes marciais ( Budô ). Drogas fortes e venenos também são perigosos, no entanto, nenhum médico deixa de usá-los, quando é necessário. O perigo depende do uso que se faz: quando devidamente usados, podem trazer resultados valiosos, desde que o paciente seja informado de sua natureza e uso adequado. Do mesmo modo, os que aprendem Karate-Do devem conhecer sua natureza e serem instruídos no uso adequado de suas técnicas é o Karate-Do.

Quem treina esse Do e verdadeiramente compreendeu a natureza do Karate-Do dificilmente será persuadido a empregá-lo em suas brigas, uma vez que um golpe ou chute bem aplicados podem determinar a morte do adversário. O Karate-Do seria corretamente indicado em situações nas quais ou se derruba o adversário ou se é derrubado pôr ele. Situações como essas são possivelmente vividas uma única vez ou mesmo nenhuma na vida da maioria das pessoas.

Sempre disse para meus alunos: “A arte não faz o homem, o homem é que faz a arte”. Alunos de qualquer arte, inclusive Karate-Do, não devem jamais esquecer de desenvolver corpo e mente. No Karate-Do, a meta individual de cada praticante deve ser o aperfeiçoamento de sua saúde ou treinamento do corpo para que funcione eficientemente.

Pode-se ter como meta o desenvolvimento da força muscular dos braços e das pernas ou ainda o equilíbrio e a firmeza da mente. Há quem deseje aprender a humildade através do Karate. todos esses objetivos estão relacionados com o desenvolvimento pessoal. Mas quando se faz mau uso da técnica, como, pôr exemplo, uma luta com a finalidade de ferir o adversário ou a si própria, só se consegue desonra o próprio, anulando todos os benefícios e méritos do Karate-Do. Esse uso inadequado das técnicas provém da compreensão superficial do Karate e é uma derrota para pessoa.

A técnica é transformada em arte pôr quem a emprega. Repito: não façam mau uso do Karate! O verdadeiro Karate-Do é um esforço interior para disciplinar a mente, desenvolvendo uma verdadeira consciência que permita, ao indivíduo, enfrentar o mundo mais dentro da realidade, desenvolvendo externamente e, ao mesmo tempo, adquirindo a força que lhe permita enfrentar um animal selvagem.

Portanto, no Karate-Do, espírito e técnica devem ser uma coisa só. O praticante do Karate-Do deve dar muita importância à cortesia; sem ela está perdida a essência do Karate. Ela deve ser praticada em todos os momentos da vida, e não apenas no treino. O estudante de Karate deve ser humilde, a fim de que possa receber instruções. Uma pessoa arrogante não consegue prosseguir em harmonia com o Karate-Do. O aprendiz deve estar sempre atento e receptivo às críticas do instrutor, deve  ser introspectivos e admitir sua ignorância, em lugar de pretender conhecer o que não conhece. Os que praticam Karate-Do não devem abandonar jamais essa atitude de humildade mental e cortesia. São apenas os indivíduos de mente estreita que gostam de fazer alarde de suas pequenas habilidades: só os ignorantes se comportam como se fossem especialistas no assunto, além do que, essas atitudes são infantis. É pelo fato de existirem muitos falsos artistas marciais que o público em geral os ignora e ou consideram selvagens, desacreditando de muitos que levam a sério a arte. Os praticantes de Karate-Do devem ter isso sempre em mente e, se seguirem esses princípios, desenvolverão coragem e firmeza. Essas qualidades nada tem  com o desenvolvimento  de técnicas agressivas, nas  quais se coloca maior  ênfase no desenvolvimento técnico do que o no mental.

Em épocas críticas, é preciso ter coragem e, caso seja necessário defender uma causa justa, ser capaz  de enfrentar mil e um adversários. Para o aprendiz de Karate, o traço mais vergonhoso é a indecisão.

Durante muitos anos, tenho dedicado minha vida a introduzir pessoas na arte do Karate. Estive durante anos ligado a gerações de colegas entusiastas dessa arte. Felizmente, meus pontos de vista foram compreendidos pôr eles que, pôr sua profunda humildade e cortesia, foram capazes de conquistar o apoio publico. O resultado obtido  e um tesouro que  encontramos juntos através da nossa dedicação ao Karate.

Em poucas palavras, recomendo aqueles que praticam Karate que não se detenham apenas no aperfeiçoamento da técnica .  Espero que dediquem sua vida a procura do verdadeiro Karate-Do. Isto porque viver Karate-Do e a própria vida, tanto publica como pessoal.


2 - Desenvolvimento Espiritual.

O Karate não é diferente de outras artes marciais no cultivo de características como coragem, cortesia, integridade, humildade e autocontrole. No entanto, o treino da maioria das artes marciais é muito puxado, desde o início, dificultando a sua prática pôr pessoas de constituição física ou mental mais fraca. Essas pessoas desistem logo do treino, porque, não podendo acompanhá-lo, perdem o estímulo. Outros fazem um esforço tão grande para acompanhar o treino que prejudicam sua saúde, uma vez que o corpo não obedece ao desejo.

Pôr isso, pessoas mais fracas se vêem forçadas a desistir de treinar outras artes marciais, apesar de o treino e o conseqüente desenvolvimento ser de importância vital para elas. Nesse aspecto o Karate permite que qualquer pessoa pratique.

O fato de poder ser efetuado em qualquer lugar e hora, só ou em grupo, permite ainda que o treino seja contínuo, possibilitando um grande progresso no desenvolvimento espiritual.

A compreensão da arte, o domínio da técnica e o aprimoramento das características de coragem, cortesia, integridade e autocontrole transformam-se na luz interior que vai guiar o praticante de Karate em sua vida diária. Mas isso requer, pelo menos, dez a vinte anos de prática assídua e, se possível, toda uma existência devotada ao estudo do Karate.

É pôr todas essas razões que considero o Karate como a arte marcial que melhor preenche as necessidades individuais de desenvolvimento espiritual através do treino físico.


3 - Alguns conceitos sobre Karate.

KARA

TE

DO

Céu Mãos Caminho
Espírito Corpo Razão
Emoção Treino Mente
Universo Flexibilidade Filosofia
Vazio Resistência Neutralidade
Luz


“É uma Educação Física como forma de defesa pessoal, aliada à filosofia dos samurais, mas com base científica”.

Guichin Funakoshi

“Uma disciplina psicofísica que tem como objetivo, preparar e adestrar seu cultores na arte do ataque e defesa”.

Ivo Rangel

“A arte da saúde e da mente sadia”.

Lirton Monassa

“ Aquele que pratica Karate, não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar”.

Lema da F.K.E.R.J.


4- A evolução das artes marciais.

Treinar com base filosófica e treinar somente para vencer outra pessoa, após anos de dedicação, produz conseqüências bem diferentes, A primeira forma proporcionará progresso espiritual e, a segunda, desajuste social, problemas psicológicos e frustrações.

Competir com outra pessoa e superá-la, aferindo habilidades, não será a meta final das competições. A prática regular, ao longo da vida, gera a compreensão dos fenômenos da vida social, do meio ambiente. Ensina a refletir e descobrir, para mudanças constantes da própria vida. A prática regular das artes marciais ajuda a compreender e dominar a verdadeira finalidade da vida em sociedade.

5 - A prática correta das artes marciais.

A nossa atuação, ás vezes, tem reflexos negativos em outros seres humanos, prejudicando aqueles com os quais convivemos, os companheiros de luta, cujo os instinto se manifesta na prática, servem para o estudo do comportamento do ser humano na sua essência, os técnicos e professores encontrarão ampla oportunidade de prevenir, orientar, educar, corrigir essas falhas, para a melhoria da personalidade, bem como para a manutenção da saúde e do bem estar físico e mental dos alunos.


6- Karatê : benefícios e malefícios.

1 -) Com a disciplina,  aprende-se a controlar os instintos violentos.

2 -) A prática regular traz tranqüilidade e serenidade no dia a dia.

3 -) A prática regular pode atrair bons hábitos.

4 -) Na convivência social, aprende-se a solucionar os conflitos pessoais e descobrir a principal finalidade da vida.

5 -) Nos aspectos negativos das competições, tais como conflitos, deslealdade, e etc. ,aprende-se a conviver com eles e superá-los

6 -) Com a prática podem-se controlar outros instintos, as vezes negativos, tais como: excesso de vaidade, ciúme, etc..

7 -) Nos aspectos cognativos e de reflexão, obtêm-se dados para o aprimoramento da personalidade.

8 -) Com a prática, pode-se desenvolver-se a sensibilidade. a ponto de perceber melhor os  sentimentos do adversários e dos outros.

9 -) Com a prática, previne-se o excesso de confiança, aprendendo a não subestimar o adversário e respeitando as pessoas.

10 -) Na prática, é preciso evitar acidentes, quando o nível técnico da luta é baixo.


7 - Karatê-Dô : Pôr que treinar ?

“ Certa noite, num treino de karatê, apareceu José, um faixa marrom, de físico forte, 1,80m de altura e 90kg de peso. Ele impressionava muito os colegas pôr seus golpes, sempre muito velozes, revelando grande vitalidade e agressividade. Na prática de luta, José enfrentou Pedro, um faixa preta, e lhe acertou um chute no rosto. Pedro ficou furioso e deferiu um soco, que atingiu em cheio o rosto de José. Depois disso, veio o pior: os dois trocaram insultos e se descontrolaram completamente. Começou logo uma verdadeira pancadaria. Assim que o professor percebeu a confusão, foi separá-los.

O treino continuou e Pedro, muito orgulhoso e inconformado com o golpe que tinha levado, acabou acertando o rosto de outro faixa preta, o Carlos, com quem estava treinando.

Carlos resolveu dar o troco e revidou à altura. A pancadaria com certeza teria recomeçado se Pedro não tivesse conseguido se controlar. Com o rosto bastante inchado, ele não avançou; ao contrario, pediu desculpas a Carlos e depois fez o mesmo com José.

Dessa forma, o treino prosseguiu !

Que fim teria a história se o professor não tivesse separado os briguentos ? Qual é a melhor fim ? Quais são, afinal, os reais objetivos de um treinamento de karatê ?

Fatos como esse são comuns na academias de karatê. O aluno principiante é humilde e dedicado, mas, após alguns anos de treinamento, vai adquirindo excessiva confiança em si, podendo tornar-se vaidoso e agressivo. Em situação de descontrole, pode bater em qualquer colega que venha ferir seu orgulho. Desequilibrado, pode machucar seus companheiros de treino, sem mesmo ter esta intenção.

Essa é a razão pela qual se faz necessário dar aos iniciantes um correto acompanhamento filosófico, orientando-os e auxiliando-os para a compreensão da verdadeira natureza do treinamento.

Como cada participante tem objetivos diferentes ao optar pela prática de karatê, estes devem ser respeitados. Cada pessoa deverá ter oportunidade de atingir suas metas, sejam elas tornar-se forte e saudável, obter autoconfiança e equilíbrio interior ou mesmo dominar técnicas de defesa pessoal.

Integridade, humildade e autocontrole resultarão do correto aproveitamento dos impulsos agressivos e dos instintos primários existentes em todos os indivíduos.

Para isso, é muito importante ter, praticar e refletir sobre os ensinamentos que os grandes lutadores deixam escrito. Aprender com as experiências anteriores, satisfazendo curiosidades e vontades pessoais ou mesmo transformando determinadas intenções em outras, é de fundamental importância para a prática de Karate.

Esses conhecimentos, que chegaram até nós nos livros deixados pêlos grandes mestres, através dos tempos, podem ser considerados uma riqueza cultural à disposição de todos.

Lemas do Karate.

1 -) Esforçar-se para a formação do caráter.

2 -) Criar o intuito de esforço.

3 -) Respeitar acima de tudo.

4 -) Conter o espírito de agressão.

5 -) Fidelidade ao verdadeiro caminho da razão

Podemos perceber que nenhum dos cinco itens abordam assuntos de técnicas e sim com os objetivos educacionais. Os atletas devem entrar em sintonia com seu próprio estado mental lúcido, sereno, mas com forte energia mental de determinação ao enfrentar o seu oponente. Não se deixe dominar pôr impulso de cólera,  violência e descontrole emocional.


8 - Shu-Gyo - Como buscar o aprimoramento.

O karatê colabora para a formação integral do homem, atuando principalmente sobre a formação da personalidade. Sua prática correta desenvolve: agilidade, percepção, raciocínio rápido e correto, boa postura, concentração, responsabilidade, disciplina, liderança, força de vontade, determinação, respeito mútuo, sociali- zação, prevenção e manutenção da saúde, estabilidade emocional, independência, autoconfiança, resistência, espiritualidade, etc.

Não pode, portanto, ser visto apenas como um esporte ou uma brincadeira de chutes e socos. essa visão distorcida do karatê só colabora para a elevação do índice de acidentes. Sua prática correta exige uma visão mais ampla do ser humano em todas as suas dimensões, para fundamentar um método capaz de colaborar com o desenvolvimento total e harmonioso delas


9 - Benefícios da prática correta.

Muito são os benefícios que se podem auferir da prática correta do karatê e aqui passamos  a  enume- rar alguns  deles.

1. Manutenção da saúde  e fortalecimento físico. Para isso é preciso regular  a intensidade, qualidade e freqüência  do treinamento de acordo com a idade, sexo e condições gerais de cada praticante.

2. Estímulo à coragem para enfrentar obstáculos.

3. Respeito aos outros, bons costumes em relação ao meio ambiente, equilíbrio, boa postura e respiração correta, que são estimulados pêlos rituais tradicionais.

4. Incentivo ao aperfeiçoamento pessoal no sentido de tentar vencer os próprios limites, como  os do

medo , da desconfiança, da preguiça, da indecisão etc.

5. Empenho e dedicação, exigindo o máximo do corpo e da mente, treinando com paciência e perse-

verança até fazer destes objetivos um hábito.

6. Controle emocional obtido na prática de luta, que permite extravasar a agressividade e “purificar”

os instintos.

7. Estabilidade emocional. A situação de luta colabora eficazmente para a sua conquista. Qualquer descontrole de emoções tem imediata repercussão na performance. Pôr isso, é preciso dedicar-se com empenho, para conseguir a necessária serenidade.


10 - Aspectos metodológicos no ensino do Karatê.

1. O mestre de karatê deve dedicar-se ao estudo dos aspectos técnicos e filosóficos dessa arte, para que esteja apto a fazer a sua adequação conforme os objetivos individuais, na prática do ensino. Esses objeti- vos devem ser dosados de acordo com a idade, sexo, nível cultural e habilidade dos praticantes.

2. Cumpre conscientizar-se de que a prática do Karatê visa ao aprimoramento da personalidade e da técnica.

3. Planejar os treinos com objetivos diários, mensais e anuais, adequando-os ao nível dos alunos.

4. Para orientar os principiantes, enfatizar sempre a metodologia correta em relação à base, postura e eficiência dos golpes; essa metodologia deve harmonizar-se com os princípios da biomecânica dos movimentos. É útil buscar também novas motivações para o treinamento.

5. Aos veteranos, mostrar o caminho correto a trilhar, indicando os reais objetivos do karatê no sentido shu-gyo, visando ao satori (libertação).

6. Criar hábitos de leitura e pesquisa em relação ao karatê.

7. O professor deve, ele próprio exercitar-se na disciplina e autocontrole, fazendo que suas atitudes e procedimentos manifestem suas convicções, para exemplo e orientação dos alunos.


11- Como orientar os iniciantes.

1. Enfatizar os objetivos técnicos e filosóficos do karatê, usando uma metodologia simples e objetiva.

2. Conscientizar  sobre a importância da boa postura, dos rituais, de forma de olhar e de observar corretamente.

3. Orientar sobre a importância da hierarquia existente no dojo, bem como da vestimenta (gui), que deve estar sempre limpa.

4. Orientar para o correto domínio das bases de shizen-tai, zekutsu-dachi, kiba-dachi, etc.

5. Dirigir corretamente os exercícios de kihon (como oizuki, maegueri, ague-uke etc.);

6. Na prática de gohon-kumite, analisar a eficiência do ataque em linha e do domínio da distância.

7. Na prática de kihon-ippon, ensinar o domínio da esquiva, tempo, ritmo, respiração e contra-ataque.

8. Na prática do jiyu-ippon, explorar movimentação livre, as fintas e a eficiência dos golpes.

9. Na pratica de jiyu-kumite, desenvolver as múltiplas possibilidades de lutar.

10. Na prática de kata, estimular a economia dos movimentos, defesa pessoal, técnica de defesa e ataque e o enfoque filosófico, essência do karatê.

Karatê infantil e juvenil: grande contribuição para a sociedade.

No mundo ocidental, a industrialização desordenada e ambiciosa trouxe alguns problemas para a educação das crianças, tornando-as incompleta. Este fato justifica o aumento do número de crianças que procuram as academias de karatê e dá maior responsabilidade a quem se dedica ao seu ensino. Alguns destes problemas e suas origens sociais podem ser enumeradas abaixo:

1. Dificuldade da presença do pai da família, tornando-se cada vez mais problemática a disciplina dos filhos;

2. As escolas, em geral, priorizam o aspecto intelectual, dando menos ênfase aos fundamentos da educação moral, cujos os ensinamentos estão voltados para o comportamento disciplinar e social;

3. Aumento da violência nas ruas, o que leva a maioria da população a preferir morar em apartamentos. Esta nova condição não permite que o potencial natural existe nas crianças seja completamente explorados; há uma conseqüente diminuição de sua vitalidade e dificuldades de saúde;

4. Aumento do número de mulheres que trabalham fora de casa, o que torna cada vez mais escassos os encontros familiares, acabando com a participação dos pais na vida diária dos filhos;

5. Excesso de valorização dos campeões e das competições, o que leva as crianças a um desgaste precoce e desnecessário.

A prática correta do karatê, orientada com seriedade pêlos professores, permite corresponder as necessidades e expectativas dos pais, ensinando a seus filhos, desde crianças, a verdadeira finalidade do karatê. Se um bom professor conseguir motivar as crianças para a prática correta, estará colaborando para evitar o aparecimento de certos vício ( uso de drogas pôr exemplo ), nocivos à saúde, Os professores não devem se esquecer de contar suas próprias experiências, bem como ilustrar as aulas com histórias simples, que permitem um fácil acesso à filosofia do karatê.

É aconselhável, também, que os professores de karatê estudem técnicas de desenvolvimento de coordenação motora nas crianças, orientando-as para que experimentem todos os tipos de movimentos. As crianças deverão entra em contatos com movimentos de coordenação fechada ( como os de nadar, dançar, kata e etc. ) e aberta ( como os de arremessar, lutar, chutar e etc. ); assim, mais tarde poderão criar seu próprio estilo de luta, com grande criatividade.


12 - O comportamento do professor de karatê.

1 -) Manifestar hombridade e altivez em todos os seus procedimentos.

2 -) Mostrar que, nas técnicas de karatê, não existem golpes de agressão.

3 -) Transformar tudo que o cerca em karatê, disciplinando-se pôr ele.

4 -) Priorizar, em relação às técnicas, a formação do caráter.

5 -) Criar o intuito de esforço e o hábito da reflexão necessárias para o aprimoramento.

6 -) Desenvolver e cultivar as virtudes da personalidades.

7 -) Conservar o espírito altruísta e pesquisar sobre a evolução humana, no seu sentido mais amplo e elevado.

8 -) Indicar sempre o caminho correto do Karate-Do com determinação e dedicação.


13 - A prática correta de Karate-Do.

A prática do Karatê sem a conotação Budô, esporte simplesmente de luta, poderá trazer ao indivíduo uma série de traumatismos físicos e psicológicos no final da carreira esportiva, devido à convivência com um alto grau de ansiedade, o que poderá levar ao estresse crônico e agudo. Podemos observar isso nos grandes campeões em diversas áreas esportivas, em que ocorrem impulsos de uma explosão de agressividade sem que se consiga o controle adequado desses impulsos. Isso se dá pela falta de preparo psicológico do atleta e pela má formação dos técnicos ou dos professores que atuam na área e que só visam ao lucro imediato.

O Karate-Do, praticado segundo o método tradicional das artes marciais, poderá reduzir o nível de ansiedade. A prática do kata (forma) paralelamente aos exercícios de luta, desenvolverá o chamado cérebro Tri-uno.

Os métodos de treinamento do Karate-Do considerado desde a sua origem, compreendem o kata ( forma) e a kumite (luta), que explicam plenamente o verdadeiro propósito do Karate-Do. Com estes elementos em equilíbrio poderemos descobrir e disciplinar o verdadeiro da razão universal, o método correto de respirar, de se alimentar e de se libertar. Desta forma, o Karate-Do ajuda a resolver os nossos problemas do dia a dia.


14 - Uma Visão Científica Do Karatê-Dô.

A revista Baseball Magazine, junho de 84, publica na página 18 um artigo do Dr. Imamura, Karatê to Bujutsu, em que ele esclarece bem os efeitos benéficos da prática das artes marciais classificadas com Budô. Bu significa conter a violência, disciplinar o soldado, estabelecer normas e leis, beneficiar e dar segurança aos cidadãos, pacificar o ambiente e enriquecer a sociedade. Nas artes marciais praticadas de acordo com a filosofia Budô, os praticantes apresentaram melhoria na capacidade de percepção, sensibilidade, criatividade e maior capacidade de adaptação a diferentes ambientes ou circunstâncias. Isto se explica pelo aumento de estímulos e de capacidade do sistema nervoso central, no cérebro considerado mais antigo, onde se localiza a sede dos complexos de réptil, que conservam os nossos instintos de sede, fome, sono, sexo e agressividade. Estes instintos proporcionam a capacidade de união, compreensão, sem interesse pôr lucros e perdas, a força de persistência e de resistência, que pode ser chamada de Fé. Mas é preciso haver harmonia e equilíbrio com o sistema neocórtex cerebral, que é mais racional, características marcante do ser humano.

O Prof. Dr. Márcio Schenberg, em seu livro Pensando a Física ( SP, Edit. Brasiliense, 1984), nas páginas 96 a 99, explica esse fato interessante:

- O Senhor poderia explicar melhor o conceito de simultaneidade dos chineses?

- Eu não posso explicar muito bem para vocês porque não sei bem; eu não conheço essas idéias em profundidade. O que pude aprender através dos trabalhos de Jung e de outros é que para os chineses não há essa idéia de causalidade com a que nós temos. Existe, entretanto, uma outra relação, a relação da simultaneidade. Eles não procuram agrupar as coisas ao longo do tempo, mas procuram agrupá-las em simultaneidade. É interessante que a teoria da relatividade geral permite também uma interpretação desse tipo, porque há a zona da causalidade, que fica dentro do cone luminoso, e a zona que está fora do cone é, de certa forma, uma zona de simultaneidade. Então é como se os chineses vissem o mundo pôr fora do cone luminoso, e nós víssemos o mundo pelo lado de dentro, que é  o cone da causalidade. Mas essas coisas são muito desconhecidas no ocidente. Um dos primeiros que descobriu no ocidente essas coisas foi exatamente Jung, no prefácio da tradução do Segredo da Flor de Ouro , um clássico taoísta chinês. Aliás, existe também um estudo monumental que vem sendo feito na Inglaterra sobre a Ciência e Tecnologia da China ( J. Needham, Science and Civilization in China, Cambridge University Press ), mas que ainda está incompleto. Parece que toda a civilização chinesa não se baseou sobre o conceito de  causalidade, nem na Ciência, nem na vida cotidiana. Vocês podem ter uma idéia disso exatamente na psicologia junguiana.

Existe outra coisa, uma das mais fascinantes da Biologia moderna, que é a descoberta de que nós temos vários cérebros e não um só. Temos um cérebro de réptil, temos o cérebro de mamífero e temos o cérebro mais racional, que é o córtex cerebral. Cada vez se vê mais a importância da cérebro de réptil. O cérebro de réptil que existe em nós é exatamente essa zona mais antiga que contém o hopotálamo e outros órgãos. Há uma diferença curiosa: na parte mais externa, o córtex, os impulsos são mais elétricos; já no velho cérebro de réptil, os impulsos são mais químicos. Sabe-se que os nervos desta região, além de transmitir impulsos elétricos, segregam certas substâncias químicas com funções importantes na transmissão de mensagens. Os nervos do cérebro de réptil são provavelmente os mais antigos. Mas parece, pôr outro lado, que as idéias mais profundas vêm do cérebro de réptil. Este cérebro de que a civilização ocidental se orgulha muito é o cérebro computador, ao passo que as civilizações orientais dão muito mais importância ao cérebro de réptil, que é onde, provavelmente, surgem os sonhos e as intuições.

Existe uma teoria oriental, o Zen-budismo, que usa muito estas idéias, dizendo que o cérebro lógico, que o ocidental valoriza tanto, é um cérebro novo, um cérebro recente, mas que a sabedoria maior está no cérebro mais antigo, que existe há milhões de anos. Este é o cérebro de réptil que nós também temos. Talvez um artista viva mais com o cérebro de réptil do que com o novo. Já o homem racional, computador, vive mais com o córtex externo, que eles acham que é parte mais nova, evoluída e diferenciada. O interessante é que, depois que começaram a fazer esses estudos no cérebro, descobriu-se que muitas das coisas sobre as quais a psicanálise tinha chamado a atenção tinham uma base anatômica. Pôr exemplo, uma parte fundamental do cérebro antigo é o hipotálamo, onde estão localizados os centros de muitos as coisas: o centro do paladar, o centro do sexo, etc. É essa parte mais antiga que controla esses instintos mais poderosos que temos. A psicologia Jung veio mostrar uma coisa, que certamente, os orientais já sabiam, mais que para nós era novidade. Ao contrário da idéia freudiana de que o inconsciente era uma coisa meia amorfa, Jung mostra que não, que o inconsciente tem estruturas perfeitamente definida. Essas estruturas parecem estar ligadas com os símbolos alquímicos e outras coisas desse tipo. Certamente, a criação poética e muitos dos símbolos sagrados, como a cruz, a estrela de Salomão e muitas outras coisas estão ligadas com o inconsciente Junguiano.

Provavelmente, uma grande parte da Matemática está ligada com esse cérebro primitivo. O grande matemático não é um tipo de calculador, de computador. É antes uma espécie de poeta. Ela cria teorias matemáticas como se fosse uma criação poética. Quem descreveu isso muito bem foi um grande matemático, Henri Poincaré. Ele fez estudos muitos interessantes sobre a matemática, mas que, provavelmente, se aplica a outros campos, dando uma importante contribuição à psicologia. Mostrou pôr exemplo, que o trabalho de criação matemática é em grande parte um trabalho inconsciente. Para Poincaré, na criatividade matemática há quatro etapas. Há uma primeira etapa em que o matemático pensa sobre um determinado problema. Depois, em geral, o problema sendo difícil, elas não consegue resolver e o abandona. Então fica assim ,e, as vezes, durante anos, a pessoa não pensa mais sobre aquilo. De repente, no momento mais inesperado, a solução vem. E na quarta fase, temos uma elaboração final da solução que apareceu na consciência. Vemos que há fases conscientes a fases inconscientes no processo. Talvez parte destes processos inconsciente esteja fortemente ligado a processos acontecendo no cérebro antigo. Este teoria de Poincaré foi elaborada sobretudo para a descoberta matemática, mais posteriormente estendida e outros tipos de criatividade pôr vários psicólogos.

Poncaré conte um caso que aconteceu com ele: Tinha pensado quase dois anos sobre os problemas das funções fuchsianas sem encontrar solução. Depois de dois anos ele estava subindo num ônibus, e, na hora em que subiu, viu a solução do problema. Não tinha mis pensado sobre aquilo, e, de repente, apareceu na sua cabeça a solução. Ele diz então que no pensamento criativo encontramos essas quatros etapas. A primeira é mais lógica, inicial, quando formulamos o problema. Há uma etapa em que o problema vai ser “cozinhando” no inconsciente. Na terceira etapa, de repente está a solução do problema e na etapa final, que freqüentemente não é  capaz de completar, ocorre uma busca de demonstração rigorosa dos resultados obtidos intuitivamente. É muito freqüente que demonstrações de teoremas matemáticos, aceitas durante muito tempo, sejam consideradas insuficientes, ou mesmos falsas, sem que se debilite a Fé no teorema.

É interessante notar que as vezes a pessoa tem uma certa percepção dos processos inconscientes através dos sonhos. Kékulé, pôr exemplo, estava procurando descobrir a estrutura do benzeno e, uma noite, teve um sonho com um ouroboros ( que é uma cobra mordendo sua própria cauda). Depois que acordou, analisou o sonho e viu que era a solução do problema que tinha se dado de uma forma simbólica. Neste caso o relacionamento da criação artística com a criação científica torna-se bem evidente.

Aliás, Poincaré era incrível. Ela conseguia ver suas idéias. Quando estava pensando, via as idéias como se fossem formas materiais. Realmente, a capacidade de observação psicológica, ou talvez, até parapsicológica, que ele tinha era excepcional. Essa é a idéia de estar vendo as idéias parece uma coisa mais parapsicológica. Mas ele via o choque de duas coisas materiais. Foi um dos gênios matemáticos mais espetaculares; foi o principal do Topologia na matemática.

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